Você está aqui: Página Inicial > Notícias > Juiz de Fora > Produto desenvolvido no Campus JF tem registro de patente concedido pelo INPI
conteúdo

Destaque

Produto desenvolvido no Campus JF tem registro de patente concedido pelo INPI

publicado: 26/10/2021 12h50, última modificação: 27/10/2021 13h54
Dispositivo atende à necessidades de tratamentos ortodônticos e foi idealizado pelos professores Denison Baldo e Sara Del Vecchio, do Núcleo de Mecânica.

Foi concedida, pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), a primeira patente a um produto criado no âmbito do Instituto Federal de Educação Tecnológica do Sudeste de Minas Gerais. O dispositivo é um mini implante ortodôntico com cabeça substituível e foi desenvolvido pelos professores do Núcleo de Mecânica Denison Baldo e Sara Del Vecchio em parceria com a Universidade Federal de Juiz de Fora.

Em certos tratamentos ortodônticos, pequenos parafusos são fixados nos maxilares superior e inferior para servirem como pontos de ancoragem. Tais dispositivos, chamados de Mini Implantes Ortodônticos (MIO), apresentam diversos modelos com formatos e funções distintas que são usados em determinadas situações. No caso do produto desenvolvido, como explica o professor Denison Baldo, trata-se de um mini parafuso bipartido composto por uma peça de corpo rosqueado fixada ao maxilar, e uma outra peça que pode ser substituída sempre que for necessário para alterar o tipo de ancoragem durante o tratamento. “Com isso, reduz-se o número de implantes fixados no paciente, tornando o tratamento menos invasivo.” 

As dimensões variam em função do local de fixação, como maxila, mandíbula ou palatino, e podem ter diâmetro entre 1 e 7 milímetros e comprimento de 6 a 13 milímetros. Sara ressalta que a invenção difere dos modelos existentes pois com ela é possível substituir somente a cabeça do MIO, sem a necessidade de retirá-lo da boca do paciente. “As cabeças podem ter formatos, acessórios e, principalmente, alturas diferentes, permitindo que o MIO seja instalado em áreas de difícil acesso, como depressões ósseas, uma única vez. Portanto, é um dispositivo de ancoragem esquelética temporária, já que será retirado após o tratamento ortodôntico, não permanecendo no sítio ósseo, como um implante.”

O projeto foi proposto pelo ortodontista Ignácio Vieira De Mello Neto e desenvolvido em parceria com a Universidade Federal de Juiz de Fora e os professores Flávia De Souza Bastos e Maria Das Graças Afonso Miranda Chaves. Denison explica que o primeiro contato se deu de maneira casual com Ignácio que, para sua dissertação de mestrado na Faculdade de Odontologia, procurou o Núcleo de Mecânica do Campus Juiz de Fora em busca de suporte técnico após uma série de indicações. “A partir de então, o contato foi mantido por e-mail, reuniões e visitas às empresas do ramo para desenvolver um modelo que atendesse às expectativas técnicas da ideia apresentada.” 

O mini implante representa um marco para o Núcleo de Inovação e Transferência de Tecnologia (NITTEC) do IF Sudeste MG, por ser a primeira patente concedida pelo INPI a um produto desenvolvido pelo Instituto. O objetivo do Núcleo é realizar uma proteção adequada das criações intelectuais geradas no âmbito da instituição, com transferência ao setor produtivo e à sociedade. O processo da patente foi iniciado em 2016, sob o código BR 20 2016 014962 8 U8 e foi deferido neste ano.

Sara comenta que projetos como esse contribuem para o fortalecimento de pesquisas multidisciplinares e que promovem a saúde, segurança e qualidade de vida do ser humano.  “É sempre muito relevante o desenvolvimento de inovação tecnológica para qualquer Instituição de ensino e pesquisa e, principalmente, quando a inovação é fruto de parcerias com diferentes entidades. Para os Institutos Federais isso é ainda muito mais relevante quando se trata de desenvolvimento de pesquisa aplicada.”

O IF incentiva o desenvolvimento de pesquisas inovadoras através de editais, cursos de formação em propriedade intelectual e apoio técnico através do NITTEC, que auxilia no processo de registro, divulgação e transferência de tecnologia, elementos importantes para consolidar a cultura de desenvolvimento inovador na Instituição. “Diferentes grupos do IF têm se destacado no desenvolvimento de pesquisa inovadora e na integração do IF com outras instituições públicas ou privadas. Isso demonstra a importância dessas parcerias, uma vez que a união de áreas de conhecimento e a busca por soluções de um determinado setor contribuem para o avanço tecnológico. Também é importante o estímulo à criação de cursos de pós-graduação, que possibilitam não somente a formação de recursos humanos mas também a produtividade em pesquisa e inovação, fundamentais para o desenvolvimento tecnológico e valorização da Instituição”, conclui Sara. 

 

registrado em: