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IF Sudeste MG lembra Setembro Amarelo e lança campanha pela valorização da vida

Psicólogos da instituição lembram a campanha nacional da Associação Brasileira de Psiquiatria e lançam formulário sobre saúde mental em meio ao ERE.
publicado: 28/09/2020 12h59, última modificação: 28/09/2020 12h59

“Aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você.” Essa é uma das célebres frases do filósofo Friedrich Nietzsche, do livro “Além do bem e do Mal”. Escritor existencialista, embora não especifique em sua obra tal sentido, podemos inferir que estes monstros ameaçadores podem viver, muitas vezes, dentro de nossas mentes e pensamentos. Afinal, o que é a ansiedade e a depressão senão ameaças que podem levar ao fim da vida tantas pessoas? Seria a morte tal abismo?

Chegamos ao fim do mês de setembro e desde 2014, a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM) organiza nacionalmente o Setembro Amarelo. O dia 10 deste mês é, oficialmente, o “Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio”, mas a campanha, que é nacional, e a reflexão sobre o tema acontecem durante todo o ano.

Segundo o site oficial setembroamarelo.com, são registrados cerca de 12 mil suicídios todos os anos no Brasil e mais de 01 milhão no mundo. Trata-se de uma triste realidade, que registra cada vez mais casos, principalmente entre os jovens. Cerca de 96,8% dos casos de suicídio estavam relacionados a transtornos mentais. Em primeiro lugar está a depressão, seguida do transtorno bipolar, abuso de substâncias e relações violentas na infância como abusos físicos e sexuais.

Ainda segundo o site, 50 a 60% das pessoas que morreram de suicídio nunca se consultaram com um profissional de saúde mental ao longo de toda sua vida. Mas por que não procurar ajuda? Primeiro que as doenças psicológicas são muitas vezes estigmatizadas na sociedade. Outra questão, é o entendimento de muitas pessoas de que o apoio psicológico por meio de uma terapia, no Brasil, é um privilégio para poucos.

Para a ABP, o estigma é um dos principais obstáculos ao tratamento adequado dos transtornos psiquiátricos. Muitas pessoas evitam procurar o psiquiatra, ou até mesmo custam a reconhecer os primeiros sinais de doenças como depressão e ansiedade por causa do preconceito que ainda está relacionado à psiquiatria. Muitas vezes transtornos do tipo são associados à loucura ou até mesmo a coisas banais, que não necessitariam de um tratamento.

 

Males dos tempos modernos?

​A depressão está longe de ser uma doença do mundo contemporâneo. Em entrevista ao site Uol em setembro de 2019, Fernando Fernandes, médico psiquiatra e pesquisador do programa de transtornos do humor do Ipq do HC da USP (Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo), lembra que o transtorno já foi descrito, sendo chamado de melancolia, desde o primeiro tratado de medicina do mundo, na Grécia Antiga. "O estado melancólico descrito é muito semelhante ao quadro atual de depressão", diz ele.

Mas a reportagem salienta que o ritmo da vida moderna, conectada e competitiva, tornou-se mais propícia a depressão e ansiedade graças ao excesso de informações, as imposições de ser feliz e bem sucedidos sem a reflexão sobre o tempo presente, em especial nas redes sociais.

Outro fator que faz com que a depressão seja por vezes compreendida como fenômeno recente, foi o crescente número de pessoas que buscam tratamento para essa condição. Há ainda um número maior de artigos e literatura científicas, bem como o tratamento sobre o tema na mídia.  Muitas celebridades também passaram a falar mais abertamente sobre suas experiências pessoais. Recentemente, a atriz Giulia Gam, por exemplo, falou sobre os anos que tratou de um quadro depressivo.

Já a pandemia trouxe outros desafios. O tempo desacelerou, mas a ansiedade causada pela insegurança trazida pela COVID-19 e outras incertezas como o desemprego, perda de renda e redução de convívio com parentes e amigos devido ao isolamento social vem afetando a saúde mental da maioria das pessoas.

 

Terapia para poucos?

​Outro entrave para a busca de ajuda profissional é um entendimento de parte da população que tratamento psiquiátrico e psicológico é um privilégio somente para pessoas mais favorecida.

O que muitos desconhecem é que o SUS (Sistema Único de Saúde) fornecem em muitos municípios o serviço de forma gratuita. Das 10 cidades em que IF Sudeste MG está presente, todas fornecem esse serviço por meio da indicação médica. Veja quadro abaixo:

Cidade

Oferta de atendimento psicológico pelo SUS

Local

Juiz de Fora

Sim

UBSs

Santos Dumont

Sim

CAPS

Barbacena

Sim

Centro de Especialidade/NASF/Centro Oncológico/Programa Melhor em Casa

São João del-Rei

Sim

Núcleo de Saúde Mental

Bom Sucesso

Sim

Posto de Saúde

Rio Pomba

Sim

CAPS

Muriaé

Sim

Postos de Saúde

Manhuaçu

Sim

Policlínicas e ESF (NASF)

Cataguases

Sim

NASF/PSF/Centro da Mulher

Ubá

Sim

Policlínica, Coordenação de Saúde Mental 

Segundo as secretarias de Saúde, todos os municípios dispõem do serviço. No entanto, os órgãos destacaram a necessidade de o demandante possuir um encaminhamento médico, anterior à busca pelo atendimento.

Outras instituições públicas e privadas de ensino oferecem o serviço de forma gratuita e/ou a baixo custo. É o caso do Centro de Psicologia Aplicada (CPA) da UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora); Serviço de Psicologia Aplicada (SPA) da UFSJ (Universidade Federal de São João del-Rei); Clínica Escola de Psicologia da Unifaminas em Muriaé e Clínica Escola “Vera Tamm de Andrada” da Unipac em Barbacena.

 

Psicologia no IF Sudeste MG

No IF Sudeste MG, os psicólogos pertencentes ao quadro efetivo da instituição, vem trabalhando juntos, em especial da pandemia, para divulgar informações e desenvolver ações que permitam o apoio psicoemocional aos alunos, entre elas, as Rodas de Conversa, implementadas em maio. Cerca de metade dos campi também possuem um profissional atuando diretamente nas unidades.

Segundo Vanessa Quintão, representante do fórum dos psicólogos do IF Sudeste MG, este acolhimento se dá pelo atendimento direto aos estudantes, que procuram o serviço de psicologia, seja por demanda espontânea, seja por encaminhamento de algum outro setor da instituição ou mesmo a pedido da família. Há também o apoio direcionado às famílias e aos servidores.

“A vivência enquanto estudante é um processo complexo que não se restringe a aprendizagem de novos conteúdos acadêmicos - inclui a relação com professores, colegas e todas as demais questões pessoais. Estes aspectos tornam-se ainda mais evidentes em um contexto de isolamento social”, reforça Vanessa.

Com o objetivo de favorecer o sucesso em tempos de Ensino Remoto Emergencial, os psicólogos do IF Sudeste MG, têm realizado intervenções com o objetivo de oferecer um espaço de escuta, acolhimento e orientação a todos que demandam por atendimento. Veja as principais atividades desenvolvidas:

- Atendimentos Individuais online, na modalidade de aconselhamento psicológico. 

- Rodas de Conversa Online;

- Atendimentos individuais online a pais ou responsáveis;

- Orientação a docentes, acolhendo suas demandas sobre questões familiares dos estudantes que influenciam no processo ensino-aprendizagem;

- Oficinas temáticas junto aos estudantes: orientação profissional, técnicas de estudo;

- Participação em reuniões multidisciplinares com as comissões e subcomissões do Projeto Reencontro;

Para mais informações sobre as ações desenvolvidas, basta contactar os profissionais de acordo com os campi de atuação:

Cheilon Caldeira Camargo - Campus Barbacena: psicologia.barbacena@ifsudestemg.edu.br 

Romualdo Santarosa de Sousa - Campus Barbacena: romualdo.santarosa@ifsudestemg.edu.br 

Vanessa Zanetti de Bem Quintão - Campus Juiz de Fora: vanessa.quintao@ifsudestemg.edu.br

Rejane Dutra de Oliveira - Campus Rio Pomba: rejane.oliveira@ifsudestemg.edu.br 

 Luciana Sarmento - Campus Santos Dumont: ae.santosdumont@ifsudestemg.edu.br 

Roselne Santarosa de Sousa - Campus São João del- Rei: roselne.santarosa@ifsudestemg.edu.br 

Há também outro ponto importante em relação a atuação da psicologia na instituição, que é o trabalho de acolhimento psicossocial aos servidores. O trabalho inclui as ações da CAS (Coordenação de Atenção à Saúde e Segurança do Trabalho), acolhimento psicológico, intervenção em situações de conflito em equipe de trabalho, entre outros

Ludmila Pinho é a responsável por essa frente de trabalho na Reitoria. Mais informações pelo

e-mail: ludmila.pinho@ifsudestemg.edu.br.

 

Campanha pela valorização da vida

Para fazer um levantamento mais efetivo das necessidades do público estudantil do IF Sudeste MG a respeito da saúde mental, os psicólogos da instituição lançam a campanha “Setembro Amarelo- pela valorização da vida” em que será publicado um formulário na qual os estudantes podem manifestar suas demandas.

Essa campanha é uma ação conjunta entre as comissões C3 ( Cuidados com os servidores)  e a C5 (Cuidados com os estudantes), que tem como objetivo promover uma discussão ampliada em todo IF Sudeste MG sobre a prevenção ao suicídio e a valorização da vida.  A participação é aberta a toda comunidade escolar. 

Para participar, basta que os interessados enviem suas dúvidas ou sugestões para o formulário no link: https://forms.gle/dqixj26PUbR8Gzxw7

Posteriormente, serão produzidos e divulgados conteúdos em resposta às demandas coletadas. As perguntas poderão ser enviadas até o dia 12/10.

Confira ainda as dicas sobre o tema Setembro Amarelo em nossos infográficos.

 

Colaboração:

Daniel Augusto de Oliveira

Fórum dos psicólogos do IF Sudeste MG

 

Texto: Juliana Rodrigues

Fontes:

https://www.uol.com.br/vivabem/reportagens-especiais/depressao-realmente-e-o-mal-de-seculo-especialistas-buscam-responder-essa-questao/#page5

https://sindjustica.com/2020/05/27/brasil-tem-maior-taxa-de-transtorno-de-ansiedade-do-mundo-diz-oms/

https://www.unimedfortaleza.com.br/blog/cuidar-de-voce/saude-mental-na-pandemia

https://www.setembroamarelo.com/

Referência para produção dos infográficos:

SCAVACINI, K., CORNEJO, E., CESCON, L. Prevenção do suicídio nainternet: adolescentes. 1.ed. São Paulo: Instituto Vita Alere de Prevenção e Posvenção do Suicídio, 2019. 23p. ISBN 978-65-80351-03-9.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSIQUIATRIA. Suicídio: informando para prevenir / Associação Brasileira de Psiquiatria, Comissão de Estudos e Prevenção de Suicídio. – Brasília: CFM/ABP, 2014.

BRASIL. Ministério da Saúde. Prevenção do suicídio: manual dirigido a profissionais das equipes de saúde mental. Brasília: [...], 2006.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Prevenção do suicídio: Manual para Professores e Educadores, 2000.

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