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Projeto de restauração do telhado do Prédio Sede do IF Sudeste MG – Campus Barbacena entra em nova fase

Os trabalhos ocorreram entre os dias 3 e 11 de fevereiro de 2026.

Teve início, entre os dias 3 e 11 de fevereiro de 2026, uma nova etapa do projeto de restauração das coberturas de madeira do Prédio Sede do Instituto Federal do Sudeste de Minas Gerais – Campus Barbacena. Nesta fase, a equipe técnica do Parque de Inovação e Sustentabilidade do Ambiente Construído (PISAC), vinculado à Universidade de Brasília (UnB), iniciou a retirada de corpos de prova para constituir uma amostra experimental estratificada da estrutura do telhado da edificação histórica. O objetivo dessa amostra experimental é simular modelos matemáticos de resistência e de dimensionamento, que junto com a inspeção minuciosa da estrutura feita pela equipe de pesquisadores da UnB, permitirão tomar medidas, que se denominam como DECISÕES BINÁRIAS CRÍTICAS sobre a cobertura de madeira. Essas decisões serão – REFORÇAR/NÃO REFORÇAR, ou SUBSTITUIR/NÃO SUBSTITUIR a estrutura de madeira. As decisões não serão simplesmente qualitativas, mas sim a partir de modelos núméricos computacionais objetivos já desenvolvidos pela equipe de pesquisadores da Universidade de Brasília, especialmente para este projeto, cujos dados de entrada são justamente esta amostra coletada princialmente em Brabacena.

Segundo o Pesquisador Colaborador Assistente da UnB, Marco Aurélio Souza Bessa, integrante do PISAC/UnB, as amostras coletadas são fundamentais para a avaliação estrutural do prédio. “A ideia é que esses corpos de prova representem a estrutura como um todo. Depois disso, levamos o material ao laboratório, realizamos os ensaios e criamos um modelo matemático de resistência da estrutura. Com base nesses valores, emitimos o parecer técnico sobre a condição das estruturas de madeira do telhado”, explicou.

De acordo com o professor da UnB, José Humberto Matias de Paula, também integrante do PISAC/UnB, os modelos matemáticos de resistência aplicados à madeira tropical estão sendo utilizados pela primeira vez no Brasil em um processo de restauração de um prédio histórico, o que confere caráter inovador ao projeto. “Com as amostras estratificadas coletadas será avaliada de forma estatística a situação da estrutura construída no em seu estado atual, depois de mais de 100 anos suportando cargas de uso, inúmeros ciclos de umidade e temperatura próprias de Barbacena e depois de sofrer intenso ataque biológico, especialmente por cupins de madeira seca. Não será avaliada a estrutura de madeira na sua situação natural e sã, quando chegou em 1912 a Barbacena pela Via Férrea Central do Brasil, vinda nos porões de navios diretamente da Europa. Sim, a madeira da cobertura é da espécie Pinho de Riga e veio serrada da Europa até os portos da cidade do Rio de Janeiro. Do Rio seguiu de trem até a Estação Ferroviária de Barbacena. De carro de bois seguiu a última milha entre a estação e o canteiro de obras do que é o atual Edifício Sede do IF-Barbacena.”, explicou o professor José Humberto.

O professor aposentado da UnB e também integrante da equipe PISAC/UnB Júlio de Melo destacou que a expertise da equipe está diretamente relacionada à formação acadêmica dos pesquisadores. “O doutorado dos professores Marcos Bessa e José Humberto é exatamente nessa área. O trabalho que estamos realizando aqui busca verificar a correlação entre a densidade da madeira e outras propriedades de resistência”, afirmou.

O diretor-geral do Campus Barbacena, professor Alex Oliveira Botelho, também ressaltou a relevância institucional, histórica e científica da iniciativa. Segundo ele, a presença da equipe do PISAC/UnB representa um avanço concreto para a preservação do patrimônio.

Recebemos com muita alegria, no Campus Barbacena, três pesquisadores do PISAC/UnB, responsáveis pelo projeto de restauro das coberturas de madeira do nosso Prédio Sede. A revitalização dessa edificação é fundamental não apenas para a nossa comunidade acadêmica, mas também para o município de Barbacena, para Minas Gerais e para o país. Trata-se de um edifício histórico com mais de 115 anos, de enorme relevância cultural, educacional e simbólica”, destacou.

Em outro momento, o diretor enfatizou o impacto técnico e estratégico do trabalho. “A presença dos professores José Humberto, Júlio Melo e Marco Bessa, nos traz esperança e, principalmente, confiança de que em breve teremos um projeto sólido e bem estruturado. A partir disso, poderemos buscar apoio financeiro junto à Setec, ao MEC, além de deputados e congressistas, para viabilizar a revitalização do prédio de forma mais ágil”, afirmou.

Alex Oliveira Botelho destacou ainda o caráter inovador da metodologia aplicada. “Os pesquisadores trazem uma bagagem técnica e científica extremamente qualificada, inovadora e estão apresentando uma tecnologia de ponta, que será um grande diferencial na elaboração do projeto. É um modelo inovador, com potencial de ser replicado no Brasil e até internacionalmente, especialmente no que diz respeito à análise da qualidade estrutural da madeira no seu estado atual, depois de mais de um século de uso, sob condições climáticas tropicais e ataques biológicos característicos do Brasil.”

Por fim, o diretor-geral reconheceu o trabalho coletivo envolvido na iniciativa. “Destaco o apoio fundamental da nossa equipe técnica de Barbacena, que tem atuado lado a lado com os pesquisadores, em especial o servidor José Lino, que acompanha todo o processo com grande dedicação. Agradeço também à equipe do DDI e à Reitoria, na pessoa do professor Valdir. Seguimos unidos, com esperança e determinação, para concluir este projeto e avançar na captação de recursos, dando início às obras de revitalização do nosso Prédio Sede.”

Os trabalhos estão sendo desenvolvidos através de uma parceria entre o IF Sudeste MG e a Universidade de Brasília - UnB para a elaboração do projeto arquitetônico de reforma da cobertura do prédio sede do Campus Barbacena.

 

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