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Bate papo incentiva a produção de poesias através da cultura Slam

A convite da professora Patrícia Botelho, do Núcleo de Línguas, as rappers Laura Conceição e Duda Masiero falaram sobre o movimento.
publicado: 05/07/2019 15h51, última modificação: 10/07/2019 14h10

Uma nova forma de fazer poética motivou a professora Patrícia Botelho, no Núcleo de Línguas, a convidar as rappers Laura Conceição e Duda Masiero pra uma conversa sobre Slam, na manhã da última quarta-feira (3) com alunos do ensino integrado. Muita gente desconhece o termo, tendo como referência um grupo terrorista do Estado Islâmico, mas na verdade trata-se de uma batalha cultural em que os participantes têm três minutos para apresentarem sua performance, recitando uma poesia de autoria própria, sem adereços ou acompanhamento musical.

“Quando li o convite para participar de uma palestra sobre Slam, pensei que encontraria alguém carregado de fuzil, balas, com um discurso fundamentalista e radical”, conta o estudante Thales Rossi Gonze, do 2º ano de Eletromecânica Integrado. Logo que entrou no anfiteatro, se surpreendeu com duas mulheres entoando versos politizados, que abordavam temas sociais e políticos. “Fiquei surpreso e gostei dessa nova forma de fazer e difundir o gênero literário”.

A professora organizadora do encontro também contou que desconhecia o termo. Foi através de uma de suas alunas de mestrado, na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) que teve um primeiro contato com o Slam. “Uma aluna me pediu para apresentar um trabalho sobre essa batalha. Como eu desconhecia o assunto, pesquisei e pude perceber a repercussão que esse movimento tem na internet. Uma forma de disseminar poesia ainda pouco conhecida no Brasil, mas muito forte em outros países”, explica Botelho.

A forma e os temas abordados nas batalhas ainda enfrentam certa resistência, mas a professora contextualiza outros momentos da história da literatura que também enfrentaram dificuldades de aceitação, mas se tornaram grandes expressões artríticas que influenciaram toda uma geração. “Aqui no Brasil, por exemplo, tivemos a Semana de Arte Moderna em 1922, na qual participaram grandes artistas como Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Di Cavalcanti. Houve um rompimento com a arte acadêmica, inaugurando assim, uma revolução estética e o Movimento Modernista no nosso país. podemos pegar outros exemplos de autores renomados como Dostoiévski e Balzac que tinham um tom bem politizado em suas obras”, justifica.

De acordo com a Laura Conceição, o Slam representa uma forma de resistência e traz para o debate questões periféricas, que normalmente não são abordadas pela grande mídia, e são expressas através de uma manifestação artística. “Considero a poesia uma arte de encantar as pessoas. Todos nós somos seres políticos e não podemos fugir do debate. Temos que trazer a tona questões sobre preconceito racial, gordofobia, violência contra a mulher, homofobia, dentre outros temas que são inerentes à sociedade. Muita gente sofre com isso e se cala diante da opressão. O Slam é uma forma de dar voz a essa gente e a todas as pessoas que são comprometidas com as causas sociais e políticas”, afirma a rapper, que é formada em Comunicação Social e atua há cinco anos em batalhas de Slam, tendo conquistado várias prêmios com suas produções.

Para Duda Masiero, que fez curso de Circo e Cinema e atualmente é estudante de Letras, não há uma regra para participar do movimento. Basta ter inspiração e defender uma causa. “Não existe cartilha. Não há regras. Pode ter rima, versos livres, métrica, o que quiser. É deixar o coração falar”.

 

Por Pedro Lima

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