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Campus JF 67 anos: uma jornada de metamorfoses e construção de identidade

A Assessoria de Comunicação convidou diversos colaboradores para visitarem suas lembranças e memórias para responder: entre tantas histórias, quem somos nós?

Antigo CTU, Ifet, Ifi, Iefi... a dificuldade de nomear o atual Campus Juiz de Fora do IF Sudeste MG reflete não apenas uma mudança, mas uma jornada significativa de crescimento e adaptação. Uma trajetória que neste dia 02 de fevereiro de 2024 completa 67 anos de uma história significativa de crescimento, de adaptação, de se reinventar.  Este histórico de metamorfoses pode, de fato, ter gerado alguma dificuldade em encontrar uma denominação permanente. No entanto, vale ressaltar que essa jornada é, em si mesma, a construção de uma identidade sólida e marcante.

São muitos significados para caber em um nome só.  São histórias que já poderiam preencher um extenso álbum de fotos ou ilustrar longas galerias de um museu. Passado, presente e futuro coexistem para o Campus JF ser o que é: uma história viva. 

As memórias e os afetos que permeiam naqueles que compartilharam experiências na instituição, seja no presente convívio ou ao longo das últimas décadas, ganham destaque na celebração. A Assessoria de Comunicação preparou este especial, reunindo colaboradores ativos e aposentados para explorarem as fotografias reunidas no Museu de Memórias. Apesar da aparente confusão nominal, é nessa reunião visual que se desenha, de maneira clara e nítida, o significado essencial da identidade do Campus JF, encontrando-se nas recordações daqueles que moldaram este percurso ao longo do tempo.

Colaboram nesta reportagem:

Cláudia Coura (Diretora-geral do Campus JF)
Iolanda Santos (funcionária terceirizada)
Lucimar Ribeiro (funcionária terceirizada)
Maria de Fátima dos Santos (funcionária terceirizada)
Paulo Rogério Guimarães (ex-reitor do IF Sudeste MG)
Rosa Maria Gouvêa (servidora aposentada do Campus JF)
Sebastião Sérgio (professor do Campus JF)
Sílvia Nascimento (funcionária terceirizada)
Sérgio Kitamura (professor aposentado do Campus JF)

Os pulos do Canguru

Inicialmente, uma escola profissional dentro da faculdade de Engenharia - décadas depois, um Instituto Federal. Foram muitos anos em diferentes lugares. Sendo a primeira escola profissional gratuita da região, o Colégio Técnico Universitário (CTU) era "sinônimo de emprego", diz o professor aposentado Sérgio Kitamura, que pertencia ao Núcleo de Construção Civil: "O curso técnico representava uma ascensão social - a certeza de um ofício".

De um ofício e também de um futuro. O vínculo com a UFJF permitiu que o CTU disponibilizasse, além do ensino técnico, uma educação básica de qualidade. O professor Sebastião Sérgio de Oliveira, do Núcleo de História, está na instituição desde os anos 90 e conta que a procura era tão alta que o colégio chegou a funcionar em duas sedes ao mesmo tempo: "Dava aulas dentro da UFJF  e depois corria para o Centro, onde estudavam as séries iniciais”.

Servidora Rosa Maria e o professor Sérgio Kitamura relembram o que um curso técnico podia representar naquela época. Foto: Natã Miguel

Qualidade esta que permitiu aos estudantes logo ingressaram em cursos superiores correlatos aos técnicos, como as Engenharias, e fez a fama da instituição. "Quando entrei na faculdade, uma professora brincava: ‘quem estudou no CTU não precisa assistir às minhas aulas!’", conta a professora Cláudia Coura, do Núcleo de Construção Civil e atual diretora-Geral do Campus JF. 

Ao longo da história, são vários os alunos que retornaram para trabalhar no CTU e isso era "um reflexo do quanto era bom estar lá", diz o professor Paulo Rogério Guimarães, do Núcleo de Mecânica, que assim como Cláudia, também foi estudante do curso técnico no CTU. Ele, inclusive, já foi diretor-Geral por dois mandatos e ocupou o cargo de Reitor do IF Sudeste MG. 

O trabalho, cada vez maior, passou por muitos anos pelas mesmas mãos. Foi sempre um pequeno grupo de colaboradores que esteve à frente do CTU.  "A maior preocupação sempre foi sermos receptivos com todos os estudantes", diz Rosa Maria, servidora aposentada do Campus JF. 

Receptividade levada tão a sério que, dado o crescimento da instituição, sonhavam com uma casa própria. "Alguns professores, principalmente o Azelino, alimentavam esse sonho de termos uma sede própria, de crescer ainda mais.", conta Rosa. 

Cláudia Coura encontra em meio as fotos a turma com quem cursou o técnico em Edificações. Foto: Natã Miguel.
Foi justamente o professor Azelino César Lima quem visualizou o terreno onde hoje é o Campus Juiz de Fora - ao saber que pertencia à União, correu atrás de fazer o sonho acontecer: no dia 4 de fevereiro de 1998, estava de pé a sede que hoje é a casa de mais de três mil estudantes  e 251 servidores.  Ele contou toda essa história no livro "Eu aluno, professor e diretor: A estória de uma história", uma autobiografia lançada em 2019 que está disponível no acervo da Biblioteca. Confira mais detalhes clicando aqui.

 

 

O porquê do Pentágono

 "O pentágono" - símbolo da definitiva sede na Rua Bernardo Mascarenhas - "foi construído dessa forma para receber iluminação solar direta em todos os momentos do dia", conta Cláudia. Um símbolo da esperança que era, diariamente, depositada ali. "Qualquer horário que olhássemos, o coração da instituição estaria sempre iluminado, bonito, né?!", brinca. 

 Foi nesta época que as funcionárias terceirizadas, Lucimar, Sílvia e Iolanda, foram transferidas da UFJF para o CTU. “Meu marido falava: só falta levar sua cama pra lá", brinca Lucimar. As três relembram que, naquela época, o trabalho era dobrado, mas a convivência e o sentido de “ver a história acontecer”, segundo Sílvia, valiam o suor para si e para os outros: "Acho que umas oito pessoas se formaram aqui por minha causa", diz Iolanda, "fiz muita propaganda do colégio!".

 Até a transição para Instituto Federal, o grupo de colaboradores "que não enchia metade do bloco A", segundo Cláudia, encontrou nos estudantes uma enorme parceria - os colaboradores relembram as famosas Gincanas do CTU e as bolsas de treinamento profissional que moviam a comunidade interna a cuidar do próprio Campus. "Foi numa destas bolsas que comecei a trabalhar aqui!", conta Maria de Fátima dos Santos.

Sílvia relembra professores e antigos alunos do CTU. Foto: Mariana de Souza.

 O pequeno grupo de servidores, agora acrescido de uma comunidade, desvincularam-se da UFJF e repetiam a história: colocavam de pé uma nova instituição. Em dezembro de 2008, ao lado da Escola Agrotécnica de Barbacena e o CEFET de Rio Pomba, formava-se os primeiros polos do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do  Sudeste de Minas Gerais (IF Sudeste MG. "A gente teve duas opções: voltar para a Universidade ou pedir as contas - de tão bem recebidas que fomos, escolhi ficar!", lembra Iolanda.  

 

De CTU para Instituto Federal

 "O que é um Instituto Federal? Na época, ninguém sabia responder", diz Paulo, "Então, ele vai ser o que a gente construir no dia a dia!".

Lucimar e Paulo Rogério reconhecem cada um dos servidores presentes numa das fotografias. Foto: Mariana de Souza. A mobilidade social que o professor Sérgio visualizava no século passado tomava um novo rumo com a universalização do que era construído no CTU há 50 anos: "Com as graduações e os novos cursos, é como se tudo aquilo estivesse sendo aumentado mil vezes" , diz Sérgio. “Sem falar na quantidade de sobrinhos que eu ganhei aqui!”, brinca Lucimar, que é carinhosamente chamada de “Tia Lú” pelos estudantes.  

Hoje, já constituído como Instituto Federal, as identidades do passado não foram apagadas - pelo contrário: coexistem e estão aparentes para aqueles que participaram desta história em cada visita: "Quando eu venho aqui, ainda sinto que tem um pedaço de mim, um tijolinho do meu trabalho", diz Rosa.  

"Passa um filme na cabeça, né?!", lembra Sebastião, "Saí da última formatura emocionado: as oradoras terminaram o discurso de despedida com a mesma frase que termino as minhas aulas: 'Foi um prazer inenarrável estar com vocês!'" 

Um filme, há 67 anos de seu início e "repetindo-se década após década com a permanência e o retorno de vários estudantes”, como dito por Paulo, está eternamente distante do fim. 

 Produção e reportagem: Fábio de Cácia (estagiário de jornalismo)

Edição: Pedro Farnese

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