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Como a pandemia impactou o setor de eventos de JF

publicado: 23/11/2021 14h26, última modificação: 23/11/2021 14h26
Pesquisa feita no Campus Juiz de Fora aponta dados negativos, mas indica otimismo do setor com a retomada.

A pandemia do novo coronavírus teve impacto em todas as áreas econômicas e sociais. Com o setor de eventos em Juiz de Fora não foi diferente, visto que foi um dos mais impactados pelas medidas sanitárias destinadas ao enfrentamento da crise que se espalhou pelo mundo. A professora Gheysa Lemes Gonçalves Gama, do núcleo de Eventos do Campus Juiz de Fora, coordenou uma pesquisa para levantar dados de forma a entender quais foram os impactos que a Covid-19 causou neste setor em nossa cidade.

O cenário da categoria durante o levantamento dos dados era o de cancelamentos, adiamentos ou então de proposta de novos modelos ou serviços a fim de driblar a crise. Com a finalidade de compreender os impactos no setor de eventos, dois questionários foram aplicados em dois períodos distintos (divididos no intervalo de 7 meses) a um público de pesquisa estimado em 180 participantes no total.

De acordo com o relatório da pesquisa orientada por Gheysa, os objetivos deste levantamento de dados são, além de obter informações sobre as consequências da pandemia em diferentes setores dentro do mercado de eventos (como funções de trabalho), estimar o nível atual de prejuízos proporcionado pela pandemia ao setor; conhecer algumas estratégias de redução dos impactos econômicos e sociais da Covid-19 no mercado de eventos; e descrever a situação do setor a partir de uma análise comparativa entre os questionários, buscando analisar o andamento tanto da pandemia, quanto da resposta do mercado de eventos.

A pesquisa revelou um panorama negativo visto que, para 32,8% dos respondentes, a pandemia teve um impacto de mais 50% em seus ganhos e para 37%, houve redução de toda a renda. Assim, para 69,8% a pandemia trouxe um impacto na renda muito significativo.

Algumas categorias profissionais, especialmente os fornecedores para eventos, conseguiram adaptar os seus serviços prestados, caso de confeiteiros, trabalhadores da área de papelaria para eventos, fotógrafos. Em alguns casos, a procura por estes serviços aumentou durante a pandemia em relação ao período anterior, pela sua facilidade de adaptação para festas e eventos menores, que aconteciam em contextos residenciais, por exemplo.

 

O que diz quem trabalha no setor

Alessandra Crispin é cantora, compositora e produtora musical e, durante o período de medidas sanitárias mais restritivas, precisou se adaptar à nova realidade, visto que os eventos em que iria trabalhar foram cancelados. Logo, focou seus esforços em um novo trabalho autoral, além de lives-show em seu canal no YouTube.

Jonas Ribeiro é produtor de eventos e Diretor do setor do JF Convention & Visitors Bureau e sócio de uma casa noturna em Juiz de Fora. Segundo ele, é difícil mensurar o tamanho do impacto que a pandemia gerou para a categoria em números, mas que foi, sem dúvida, o setor que mais sofreu. “Ainda mais em uma cidade como a nossa, que se manteve totalmente restritiva a qualquer tipo de evento durante a pandemia, e muitos dos empreendedores e trabalhadores do setor tiveram que arrumar outras formas de se sustentar durante todo esse período”, diz Jonas.

Tanto Alessandra, quanto o produtor de eventos apostaram em leis de incentivo para seguirem trabalhando durante o período mais restritivo da pandemia. A cantora teve um projeto de um novo disco aprovado na Lei federal 14.017/2020, conhecida como Lei Aldir Blanc de Emergência Cultural. “No final de 2020, passei na Lei Aldir Blanc Estadual e, a partir de fevereiro deste ano, eu, João Paulo Lanini (violonista parceiro de trabalho da Alessandra) e a DJ Josy, começamos a estruturar o disco que eu começo a lançar, em outubro, alguns singles”, conta a cantora.

Jonas conta que uma das saídas para ele foi escrever projetos para leis de incentivo fiscal que foram lançados para apoiar o setor durante a pandemia. “Escrevendo meus projetos, eu e mais alguns parceiros percebemos um nicho nesse segmento que pode ser explorado, estamos trabalhando mais projetos em cima dessas leis de incentivo. Pretendemos realizar muitas coisas bacanas em Juiz de Fora usando esses instrumentos. É bom para gente, bom pra quem trabalha com isso e, principalmente, bom pra cidade!”, explica.

 

Esperança com a retomada

De acordo com o relatório desenvolvido pela equipe da professora Gheysa, no primeiro questionário havia uma questão sobre as expectativas em relação ao futuro e como os respondentes imaginavam que estaria o mercado de eventos dali a seis meses. Para 57,5% os eventos já estariam acontecendo, ainda que de forma menos intensa; 11,7%, que o número de eventos aumentaria de forma significativa; 10% que a pandemia estaria controlada e que os eventos estariam ocorrendo normalmente e apenas 20% que o mercado ainda estaria estagnado. Logo, 80% dos respondentes tinham uma perspectiva bastante otimista em relação ao futuro próximo.

O segundo questionário aplicado perguntou aos respondentes como eles viam o mercado de eventos nos meses de intervalo entre os dois formulários. 55,9% da respostas apontam que o setor de eventos já deveria ter voltado, enquanto 57,1% atribuem esse resultado ao avanço lento, à época, da vacinação contra o vírus. Mas este cenário mudou.

A Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) através do Decreto N.º 14.775 de 21 de setembro de 2021, dispõe sobre a regulamentação das atividades econômicas e sociais no âmbito do Município Juiz de Fora, para enfrentamento da pandemia. Criou-se então o plano “Juiz de Fora Viva – Cidade em Movimento" que prevê a retomada total em três etapas. A primeira já foi alcançada por JF no mesmo dia da ordem publicada pela prefeita Margarida Salomão. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pelo menos 40% da população já estava com o esquema vacinal completo.

Esta Nota Técnica da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e Inclusivo, da Inovação e Competitividade (Sedic/PJF), suspendeu a limitação de público para eventos sociais, corporativos e educacionais, feiras comerciais, culturais e de entretenimento, além dos esportivos. O documento orienta também em relação aos protocolos sanitários exigidos, como a obrigatoriedade de comprovação de esquema vacinal completo; distanciamento social de 1,5 metro para pessoas em pé e assentadas; obrigatoriedade do uso de máscara; e medidas de higiene/etiqueta recomendadas pelo Ministério da Saúde.

O Diretor de Eventos do JF Convention & Visitors Bureau vê esse momento de retomada com otimismo, mas faz uma ressalva. “Ficamos muito tempo parados, existem muitos eventos que deixaram de acontecer e não poderão ser realizados, mas a maioria foi adiada, e eles vão disputar espaço com os novos projetos. Acredito que passaremos alguns meses sobre o efeito da volta, ou seja, uma enorme demanda reprimida que vai explodir os eventos no início. Depois de algum tempo, e principalmente porque a situação econômica do país também não está nada boa, acho que a tendência será as coisas se acalmarem de novo. O tempo dirá”, conclui Jonas.

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