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IF na Praça leva agricultura familiar e expressões artísticas ao Quarto Depósito

Feira na Praça da Bíblia

Iniciativa promovida por projeto do Campus Santos Dumont do IF Sudeste MG foi celebrada por moradores do bairro
#pratodosverem: Imagem mostra feirantes conversando com estudantes da pós-graduação em Práticas Pedagógicas na Educação Contemporânea. Na barraca, os feirantes vendem frutas.

#pratodosverem: Imagem mostra feirantes conversando com estudantes da pós-graduação em Práticas Pedagógicas na Educação Contemporânea. Na barraca, os feirantes vendem frutas.

A Praça da Bíblia, no bairro Quarto Depósito, ficou repleta de cultura, arte e esperança na manhã do último sábado (9 de novembro). Uma parcela importante da identidade de Santos Dumont esteve representada no IF na Praça, evento organizado pelo projeto de extensão (R)Existências, do Campus Santos Dumont do Instituto Federal do Sudeste de Minas Gerais (IF Sudeste MG). Situada a poucos metros do local do evento, a instituição levou à população que passava por lá uma feira livre com alimentos, artesanato, música, ioga e muita criatividade. 

A proposta deste mês no projeto (R)Existências foi a celebração da agricultura familiar e da cultura de povos tradicionais. Os expositores que tiveram a oportunidade de agregar e comercializar seus produtos, como mel, bolos, salgados, frutas e as mais diversas peças de artesanato, são pessoas de Santos Dumont, do campo e da cidade, que precisam de feiras como a do IF na Praça tanto quanto a população demanda o acesso a estes artigos. 

“A maioria dos nossos apiários está na zona rural de Santos Dumont e agora também em algumas cidades vizinhas”, relatou Felipe Gomes, que trabalha com fabricação de mel e outros produtos apícolas num empreendimento familiar, “e a nossa principal saída (dos produtos) são as feiras. A transmissão e a valorização desse saber do campo são de suma importância, mas às vezes se quebra essa cadeia, de uma atividade que por muitos anos foi realizada por uma família”. Por isso iniciativas como a de sábado são tão relevantes. Alguns feirantes que estiveram na Praça da Bíblia, aliás, não têm muitas outras vias para comercializar seus produtos. A hipótese de essa iniciativa tornar-se permanente, de acordo com eles, seria muito bem-vinda.

Moradores da vizinhança tiveram a mesma percepção sobre a atividade, realizada pelo IF pontualmente no sábado. “Não tem movimento aqui no bairro. Então, é muito interessante (a realização de um evento como este). Eu gostei muito da agricultura familiar, mas o artesanato também me interessou bastante. Muitas pessoas nem conhecem o nosso bairro. Isso (se a feira fosse permanente) traria o povo de Santos Dumont para cá”, avaliou o professor de Matemática aposentado Ismael Alves. “Precisa de um evento desse aqui na comunidade. Seria interessante se houvesse mais vezes. O povo aqui é muito comunitário”, salientou a dona de casa Rosimeire Meireles, esposa de Ismael. 

Conhecimento

Estudantes da pós-graduação em Práticas Pedagógicas na Educação Contemporânea realizaram, durante o IF na Praça, uma pesquisa junto aos feirantes. Um dos pontos que eles estudaram foi a valorização dos saberes do campo pela escolas. “A ideia é saber como foi a educação que eles tiveram e também o ensino de hoje na zona rural, se a identidade do campo é levada à sala de aula, se existem projetos”, explicou a estudante da especialização Nívea Valente, também professora de Português.

No caso da pessoa que entrevistamos, o relato foi de que, na época em que ele foi estudante, o ensino era tradicional, não havia muito essa preocupação. Ele acabou abandonando os estudos. Mas hoje já existe de certa forma. As crianças vão a campo no estudo de Ciências da Natureza, por exemplo. Então, ele percebe que há uma valorização um pouco maior. A preocupação dele é que as próximas gerações talvez não queiram continuar o trabalho no campo”, completou Nívea. 

O IF na Praça também teve uma prática de ioga, conduzida pela professora Sol Pedernera, que ministra aulas de Espanhol no Centro de Línguas do Campus Santos Dumont, além de apresentações musicais, com a Fanif (fanfarra do IF, em parceria com a banda Falcões) e um grupo de estudantes do Instituto Federal - Samuel Rodrigues, Gabriel Duarte e Matheus Henrique. Outro ponto importante do evento foi a construção de uma cúpula geodésica de bambu. Ela é uma estrutura semiesférica com uma rede de polígonos (normalmente triângulos), ao mesmo tempo leve e resistente, e o bambu é um dos materiais sustentáveis, eficientes e de baixo custo que podem ser utilizados. 

Os estudantes Francislian Silveira, Renato Gatti e Raquel Ceroni, que cursam Agroecologia no Campus Rio Pomba do IF Sudeste MG, ministraram na sexta, no IF, uma oficina sobre o assunto e no sábado montaram a geodésica. “É um material que nós já havíamos preparado para o Fórum Nacional de Agroecologia que acontece todo ano em Rio Pomba. É uma proposta superinteressante até por conta da carência dessas informações num meio tão tecnológico, pelo perfil dos cursos que o IF oferta em Santos Dumont”, explicou Francislian. 

Nossa ideia foi trazer o bambu como um material alternativo e multifuncional. Falamos sobre noções básicas, o manejo da touceira, da parte botânica, como propagar o bambu. E também as aplicações, os encaixes e os domos geodésicos. Você pode, por exemplo, fazer um viveiro, um galinheiro e até uma habitação. Com o manejo adequado, o bambu é até mais sustentável do que a madeira. É um recurso de baixo custo e que está disponível”, completou. 

(R)Existências

O projeto já debateu outras pautas fundamentais como as migrações e o combate à xenofobia, as lutas do movimento negro e a causa LGBTTI. Além dos eventos abertos ao público externo, um grupo de professores do IF Sudeste MG leva os debates para as salas de aula, conscientizando os estudantes sobre a importância do respeito à diversidade. Coordenam o projeto os professores Bia Possato (Campus Santos Dumont) e Helton Nonato (Campus São João del-Rei).

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