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Jornada com grupo Sabuká Kariri-Xocó traz intercâmbio cultural a Santos Dumont

Nativos de Porto Real do Colégio, em Alagoas, foram convidados pelo (R)Existências para protagonizar último evento do projeto neste ano
por Daniel dos Santos Leite publicado: 29/11/2019 16h28, última modificação: 03/12/2019 13h39
Picasa #pratodosverem: Imagem mostra nativos Kariri-Xocó conduzindo toré - canto e dança - com a participação do público

#pratodosverem: Imagem mostra nativos Kariri-Xocó conduzindo toré - canto e dança - com a participação do público

De Porto Real do Colégio para o mundo. A expressão não é um exagero. O grupo Sabuká Kariri-Xocó, de uma aldeia do interior de Alagoas, às margens do Rio São Francisco, leva sua cultura a diferentes cantos do país e do planeta por meio de jornadas com rodas de conversa, cantos, danças e artesanato. Com uma visita à Itália marcada para 2020, quatro nativos do povo Kariri-Xocó estão em Santos Dumont para uma série de ações abertas ao público promovidas pelo projeto de extensão (R)Existências, do Campus Santos Dumont do Instituto Federal do Sudeste de Minas Gerais (IF Sudeste MG).

A primeira delas aconteceu na tarde de quinta-feira (28), no Bloco 1 da unidade do IF. Uma nova oportunidade de conhecer as expressões artísticas, a visão de mundo e a espiritualidade dos Kariri-Xocó, novamente no Campus Santos Dumont, será na noite de hoje (sexta, 29), a partir das 19h. Na manhã de sábado, às 9h, eles estarão na Cap Jack Pizzaria (prédio da OAB – Avenida Presidente Getúlio Vargas, 231) para o terceiro evento da Jornada Indígena em Santos Dumont (o local, que originalmente seria a Praça Cesário Alvim, foi modificado por conta da previsão de chuva). No domingo, também às 9h, o Centro Espírita Francisco de Assis (Ceifa) receberá a última ação no município. À tarde, eles participarão de uma integração com a tribo Maxakali, no Jardim Botânico de JF, em parceria com a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). 

Na quinta, o cacique Pawanã, Kajaby, Kayã e Kayony desenvolveram várias ações dedicadas a alunos e servidores do IF e ao público externo – um grande grupo de estudantes do Colégio São José esteve no campus para participar. Entre diversas reflexões e curiosidades, eles falaram sobre sua preferência pelas línguas nativas, a relação especial com a natureza e a importância do respeito à cultura e às particularidades de todos os povos, também esclarecendo dúvidas do público. Após as atividades, ainda apresentaram a servidores, alunos e visitantes os artigos de artesanato produzidos na aldeia. 

Tudo foi marcante, mas a etapa do evento que mais mobilizou as pessoas presentes foi a dos torés – associação entre a música e a dança, com o significado “som sagrado” –, também por conta da forma como o grupo conduz a atividade, envolvendo todos em suas manifestações ritualísticas. “Eu gostei muito do fato de ele (cacique Pawanã) ter envolvido a gente, colocado para praticar uma expressão cultural”, avaliou a aluna do IF Maria Luiza Silva, do primeiro ano do curso técnico em Mecânica integrado, “e foi tudo muito novo para mim. Descobri muita coisa. Independentemente de aparências, eles têm um contato especial com a natureza, e isso é o principal”. 

“O que mais impressionou foram os rituais, essa conexão com os elementos da natureza, a terra, o fogo, a água e o ar, que constituem nossa essência, e como eles os reverenciam e respeitam”, acrescentou a bibliotecária do IF Erica Veloso, “e achei muito emocionante compartilhar esse momento, conectar-se com a força e a fé que eles têm. Quando a gente vivencia, sente melhor, e aquilo vira efetivamente uma memória”. 

“Quando falamos, por exemplo, que preferimos ser chamados de 'Kariri-Xocó' ou 'nativos' a 'indígenas', isso surpreende as pessoas, porque já está enraizado”, afirmou o cacique Pawanã, “e a jornada que fazemos nas escolas (no primeiro semestre, eles cumpriram uma extensa programação no estado de São Paulo) é mesmo muito importante para quebrar toda a desinformação (que existe na percepção geral sobre povos nativos e sua cultura)”. 

Essa desinformação vai desde ideias preconcebidas sobre as crenças dos povos até a relação que eles podem ter com o mundo moderno. “Existem muitos estereótipos – que só cantamos, dançamos ou caçamos, mas não podemos, por exemplo, utilizar tecnologia. Se o mundo se desenvolve, vamos nos desenvolver também. Às vezes é um choque grande quando alguém nos vê com um celular, por exemplo. Mas isso não tira minha essência, meu costume. Usamos para atender a algumas necessidades, para ter contato com a sociedade”, concluiu Pawanã.

Coordenam o projeto os professores Bia Possato (Campus Santos Dumont) e Helton Nonato (Campus São João del-Rei).

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