Geral
Alunos do Ensino Técnico em Meio Ambiente e Superior em Gestão Ambiental fazem Estudo em Campo dos Projetos de Pesquisa na Serra de São José
No último final de semana, alunos do curso Técnico em Meio Ambiente e do curso superior de Tecnologia em Gestão Ambiental realizaram uma imersão científica na Serra de São José, importante formação montanhosa localizada no Campo das Vertentes, em Minas Gerais. A atividade teve como objetivo principal a coleta de dados sobre três grupos bioindicadores da qualidade ambiental: libélulas (Odonata), aves e fungos. A atividade também foi uma oportunidade de integração entre os estudantes do nível técnico e superior.
Coordenada pela professora orientadora, professora Alessandra Fernandes, a expedição fez parte do calendário de práticas planejadas nos Projetos de Pesquisa. Permitiu que os estudantes aplicassem metodologias de campo como censo por ponto fixo para aves, captura e soltura de libélulas com identificação por espécie, e coleta de fungos para análise morfológica posterior em laboratório.
“A Serra de São José é um ambiente estratégico para esse tipo de estudo, por ser um fragmento de Mata Atlântica de altitude, com nascentes, campos rupestres e áreas de transição. Observar libélulas, aves e fungos ali é entender como o ecossistema responde a fatores como umidade, temperatura e preservação da vegetação”, explicou a professora Alessandra.
Com base nos dados científicos disponíveis, a biodiversidade da Serra de São José é notável especialmente para o grupo das libélulas, onde a região detém um título de importância mundial. Quanto às aves e fungos, embora haja reconhecimento da riqueza local, os dados são mais gerais ou indiretos.
Os alunos já identificaram mais de 15 espécies de aves, entre elas o tangará (Chiroxiphia caudata), o saíra-amarelo (Hemithraupis flavicollis) e o gavião-carijó (Rupornis magnirostris). Já próximo aos corpos d’água, como os riachos que cortam a serra, o foco foram as libélulas — foram catalogados exemplares das famílias Libellulidae e Coenagrionidae, com destaque para a presença de espécies crepusculares sensíveis à poluição hídrica, o que indica boa qualidade da água nos trechos visitados.
Houve também sob orientação de um micólogo convidado, a procura nas trilhas sombreadas e locais com alta umidade de fungos para registro e coleta. Devido ao início da época seca somente foi possível a coleta de um exemplar para identificação no Laboratório de Biologia Geral.
Os dados coletados serão tabulados ao longo das próximas semanas e farão parte de um relatório técnico que será compartilhado com a unidade de conservação responsável pela gestão da Serra de São José. Além disso, parte do material fotográfico e das identificações será utilizada em uma exposição científica aberta à comunidade escolar (I Feira de Ciências) em outubro.
Com iniciativas como essa, os cursos de meio ambiente e gestão ambiental reforçam a importância da pesquisa de campo na formação profissional, aliando teoria, vivência e responsabilidade socioambiental.
Saiba mais sobre os grupos estudados!
Libélulas: o grupo de destaque mundial
A Serra de São José é um caso de sucesso e uma referência na conservação de libélulas no Brasil. É a primeira reserva do país, possui uma riqueza de espécies impressionante. Estudos realizados entre 1996 e 2012 catalogaram 128 espécies de libélulas na serra, sendo 49 do subgrupo Zygoptera (as mais delgadas) e 79 do subgrupo Anisoptera (as maiores e mais robustas). Destas, sete espécies representaram novos registros para o estado de Minas Gerais.
Essa alta diversidade é explicada pela grande variedade de biótopos aquáticos presentes na Serra, como riachos, brejos e lagoas, inseridos em um mosaico de Mata Atlântica e Cerrado. Essa heterogeneidade ambiental é um dos principais motores da biodiversidade local.
Aves: riqueza comprovada em inventários
Para as aves, a Serra também demonstra grande importância, funcionando como um refúgio para a fauna da região. Um levantamento focado na APA da Serra de São José e seu entorno conseguiu já registrar 138 espécies de aves. A lista inclui desde aves aquáticas, como o Socozinho (Butorides striata), até aves de rapina como o Gavião-carijó (Rupornis magnirostris) e espécies como o Jacuguaçu (Penelope obscura).
O mosaico de ecossistemas com a presença de remanescentes de Mata Atlântica, Cerrado e Campos Rupestres é o principal fator que explica tanta variedade, oferecendo nichos para aves de diferentes hábitos e necessidades ecológicas.
Fungos: o potencial de um grupo pouco explorado
Este é o grupo com menos informações específicas disponíveis para a região da Serra de São José. Não são encontrados inventários micológicos exclusivos para a Serra. No entanto, a diversidade de fungos na região é potencialmente alta, pois eles estão intrinsecamente ligados aos diferentes tipos de vegetação (Mata Atlântica, Cerrado, Campos Rupestres), atuando como decompositores essenciais e formando associações simbióticas com as raízes de muitas plantas.
É portanto uma oportunidade única de estudo pois a falta de dados específicos para este grupo na Serra ressalta uma grande oportunidade para futuros trabalhos de campo dos alunos, que podem contribuir significativamente para o conhecimento da micobiota local.
Veja na sequência de fotos um pouco de como foram as atividades.




