Pesquisa
Sustentabilidade no Campus JF: projetos fortalecem educação ambiental
Em meio às discussões promovidas pela IV Semana do Meio Ambiente do Campus Juiz de Fora, a sustentabilidade volta ao centro do debate institucional, evidenciando ações que, ao longo dos anos, vêm consolidando uma cultura de responsabilidade ambiental. Esse movimento é impulsionado, também, por legislações federais, como o Decreto nº 5.940/2006, que instituiu a separação de resíduos recicláveis nos órgãos públicos, e pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, de 2010. “Você tem um decreto presidencial, um de 2006 e outro de 2010, que institui um programa Pró-Catador”, explica o professor Elpídio Rezende Vieira, do Núcleo de Geografia.
Foi em 2011 que o campus deu um passo importante ao criar sua primeira comissão de coleta seletiva. Segundo Elpídio, uma nova portaria, publicada em 2013, ampliou a participação de servidores no grupo. Apesar dos avanços organizacionais, o processo enfrentou dificuldades práticas. “A gente conseguiu organizar muito documento, conseguiu criar algumas ideias, mas não conseguiu avançar no campo da coleta seletiva”, relembra o professor.
Os desafios, no entanto, não impediram a continuidade das ações. Mesmo diante das limitações, professores seguiram desenvolvendo atividades relacionadas à educação ambiental por meio do ensino e da extensão, consolidando um trabalho gradual de conscientização.
A extensão como elo com a comunidade
A partir da criação das primeiras comissões, servidores passaram a desenvolver ações de conscientização ambiental, aproximando o campus da comunidade externa. Uma das principais articulações ocorreu junto à Associação Lixo Certo (Alicer), responsável pela coleta dos resíduos recicláveis produzidos na instituição. Mais do que garantir a destinação correta dos materiais, a parceria assumiu um papel social e educativo.
“No início a ALICER ainda estava se formalizando, não tinha um caminhão adequado. Então o Instituto foi muito importante, porque nesse período também enviava os materiais recicláveis com o transporte daqui até a associação”, relembra o professor Ciro de Sousa Vale, do Núcleo de Geografia, ao comentar os primeiros anos da parceria.
A experiência também aproximou estudantes da realidade da gestão de resíduos e da importância da coleta seletiva. Para Ciro, esse contato fortalece uma formação que vai além do conteúdo técnico: “Aqui a gente não quer formar só essa questão do aluno para fazer PISM e ENEM. Eu acho que é uma formação principalmente cidadã.”
Reciclar: sustentabilidade institucional
m dos marcos recentes dessa trajetória é o projeto de extensão Reciclar, desenvolvido desde 2023 pelos professores Elpídio Rezende, do Núcleo de Geografia, e Roberta Cristina Novaes dos Reis, do Núcleo de Química. A iniciativa reorganizou a separação de resíduos no campus, adotando práticas mais simples e eficientes para o descarte correto e fortalecendo a conscientização ambiental.
Além da reorganização interna, o projeto ampliou ações educativas com a comunidade acadêmica e externa, promovendo visitas a escolas, participação em eventos institucionais e atividades voltadas ao descarte adequado. Para Roberta, um dos principais resultados é a mobilização construída no campus. “A gente está vendo que está dando certo. Virou uma mobilização”, afirma.
Segundo a docente, os estudantes passaram a observar com mais atenção os processos de descarte e a orientar colegas quando identificam equívocos. Assim, o Reciclar consolida uma cultura de sustentabilidade alinhada às políticas públicas ambientais e ao compromisso institucional com a formação cidadã.
Reportagem: Marco Antônio Carvalho Gomes (Estagiário - Assessoria de Comunicação)
Edição: Assessoria de Comunicação - Campus JF
Fontes:
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2022/decreto/d10936.htm#art91
https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/2006/decreto-5940-25-outubro-2006-546076-norma-pe.html




