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IF Sudeste MG tem participação expressiva no IX ENNEABI e fortalece ações pela educação antirracista
“A igualdade racial, num país como o Brasil, marcado pelo racismo estrutural, não é alcançada sem movimento.” A reflexão da professora do IF Sudeste MG Rosana Machado, atualmente em exercício no Ministério da Igualdade Racial (MIR), sintetiza a importância da participação do IF Sudeste MG no IX Encontro Nacional de NEABs, NEABIs e grupos correlatos da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica (ENNEABI), realizado de 14 a 18 de setembro, em Sousa, na Paraíba.
Com uma delegação de 22 representantes de dez campi, incluindo a Coordenadora de Ações Afirmativas da Reitoria do IF Sudeste MG, Paula Souza. Segundo Paula, a instituição teve participação realmente expressiva no IX ENNEABI. Além das atividades formativas, culturais e das imersões, professores e estudantes apresentaram trabalhos nas sessões temáticas sobre a atuação nos núcleos de estudos afro-brasileiros e indígenas dos campi.
Confira a listagem de todos os trabalhos apresentados
Representatividade no evento
A Coordenadora- geral de Ações Afirmativas no Trabalho e na Política (MIR), Professora Rosana Machado integrou o Comitê Científico do encontro. Para ela, enfrentar desigualdades raciais exige compromisso institucional e ação. “O racismo estrutural faz com que, se não houver um compromisso institucional do Estado brasileiro como um todo para a mudança dessa realidade de exclusão da população negra, as instituições acabam simplesmente reproduzindo essas violências de exclusão”, afirmou.
Nesse contexto, segundo a professora, a presença do IF Sudeste MG no encontro reforça o compromisso institucional com as ações de enfrentamento ao racismo. Rosana destacou ainda a importância do esforço para possibilitar uma participação ampla no encontro. “Fiquei muito feliz com a ação da Coordenação de Ações Afirmativas de buscar levar o maior número possível de pessoas — estudantes, servidores técnico- administrativos e professores — para participação no evento.”
Para a professora, a capilaridade da Rede Federal e sua capacidade de articulação constituem elementos importantes para o desenvolvimento de políticas de promoção da igualdade racial nos diferentes territórios.
Para além da apresentação de trabalhos
A participação do IF Sudeste MG não ficou restrita às sessões temáticas e à apresentação de trabalhos. Ao longo da programação, integrantes da delegação participaram de diferentes atividades e imersões que articularam educação, culturas, ancestralidades, saberes tradicionais, inovação, território e relações étnico- raciais.
Uma delas foi a imersão Produção Agroecológica/Vale dos Dinossauros, realizada em Sousa. A atividade articulou experiências de produção agroecológica, protagonismo feminino, patrimônio natural e desenvolvimento territorial. O roteiro incluiu ainda a visita ao Vale dos Dinossauros, importante patrimônio natural da região, conhecido pela preservação de pegadas fossilizadas de dinossauros.
As imersões também aproximaram os participantes de diferentes expressões culturais, saberes tradicionais e experiências dos territórios paraibanos. Em Cajazeiras, a programação incluiu uma vivência com a Associação de Loiceiras, com experiência de modelagem em barro, além de visita ao Polo de Inovação Pisada do Sertão, estabelecendo um diálogo entre tradição e inovação.
Em Poço José de Moura, os participantes tiveram contato com manifestações ligadas à memória, à música, à dança e aos saberes transmitidos entre gerações, em atividades que passaram pela Vila do Sertão e pela Associação de Reisado Zé de Moura. A programação incluiu ainda uma imersão no Rancho Cigano, com vivências relacionadas à cultura e aos modos de vida ciganos, por meio de danças, artesanato e outras experiências compartilhadas no território.
Para o professor Natalino da Silva de Oliveira, do Campus Muriaé, essa diversidade de experiências é um dos elementos que conferem dimensão ao encontro. Ele destacou o número de participantes e de atividades, além do espaço destinado às ancestralidades e à educação antirracista.
“O ENNEABI é, atualmente, e sem sombra de dúvidas, o evento mais importante da área de educação”, avalia. Entre os motivos apontados por ele estão a dimensão do encontro, a quantidade e a qualidade das atividades e a abordagem das ancestralidades, além do enfrentamento ao racismo e ao epistemicídio e da defesa de uma educação pluriversal.
A experiência em Sousa também marcou Natalino pela aproximação com o território e com a cultura cigana. “Foi muito rico poder vivenciar experiências míticas com o nosso povo. Afinal, o Brasil padece da falta de conhecimento — por não conhecer sua ancestralidade e por não valorizar sua diversidade. O NEABI do IF Sudeste MG sai mais fortalecido e enraizado em seus objetivos ancestrais.”
Trocas que ampliam a formação
O encontro com estudantes e servidores de diferentes instituições também possibilitou conhecer experiências desenvolvidas em várias partes do país e fortalecer a atuação dos NEABIs no IF Sudeste MG. Compartilhando essa perspectiva, a professora Flávia Vidal Magalhães, do Campus Cataguases, acredita que ao conhecer iniciativas de diferentes Institutos Federais, é possível buscar referências para o trabalho desenvolvido localmente, para como forma de inspiração e fortalecimento da atuação nos campi.
A professora Julimara Gomes dos Santos, do Campus Ubá, também destacou a troca com servidores de outros campi e instituições, mas chamou atenção especialmente para o impacto da experiência entre os estudantes. Para muitos, a participação significou vivenciar situações inéditas, conhecer pessoas de diferentes lugares e acompanhar jovens da mesma faixa etária apresentando trabalhos em um evento nacional. “Isso evidencia que a educação ultrapassa os muros da escola e se constrói também nas relações que estabelecemos uns com os outros”, afirmou.
Na mesma perspectiva, o professor Weder Ferreira da Silva, do Campus Muriaé, ressaltou tanto a oportunidade de apresentar nacionalmente trabalhos desenvolvidos na instituição quanto a formação proporcionada aos estudantes. Para ele, as experiências vivenciadas no encontro passam a integrar a formação cidadã dos jovens e contribuem para a construção de uma sociedade mais justa, participativa e inclusiva.
Os relatos dos estudantes traduzem esse impacto. Para Maria Eduarda Santos, do Campus Bom Sucesso, a participação no evento trouxe uma nova percepção sobre a dimensão da Rede Federal e despertou sentimentos de pertencimento. “Me fez lembrar da força e da resistência dos meus ancestrais e, principalmente, me fez sentir pertencente”, contou. O contato com estudantes indígenas e a possibilidade de conhecer mais sobre suas lutas também estiveram entre os momentos destacados por ela.
Já Yasmin Castro, do Campus Ubá, viveu sua primeira viagem para tão longe de casa e encontrou no evento aprendizados que dificilmente teria da mesma forma em sala de aula. “Durante o evento pude ouvir histórias, conhecer novas pessoas, ver realidades diferentes”, relatou, destacando também a conquista pessoal, marcada por novos aprendizados e vivências.
“O encontro mostrou a importância da atuação dos NEABIs dentro das instituições de ensino. Esses núcleos contribuem para que temas relacionados à história, à cultura, à identidade e às relações étnico-raciais estejam cada vez mais presentes no ambiente acadêmico”, defende Lady Caroline Silva Lopes, estudante do Campus Rio Pomba.
Texto: Carolina Pires
Edição: Juliana Rodrigues




